Pintura de parede, 2013-2025
Os trabalhos da série Pintura de parede iniciados em 2013 passaram por uma espécie de taxonomia sobre uma mesa de dissecação. Uma vez dissecadas, as lixas gastas utilizadas na reforma de minha residência e de meu ateliê – localizados no mesmo apartamento no centro de São Paulo –, que constituem esses trabalhos, geraram outra parte série, intitulada Pintura de parede [retalhos], produzida entre 2020 e 2021, e com os retalhos esfolados dessas sobras de lixas. Agora, entre 2024 e 2025, decidi produzir pinturas maiores, inéditas, formadas por duas partes e compostas por 128 retalhos cada uma delas.
No caso da série Pintura de parede [retalhos] e [retalhinhos], o movimento e o gesto espelham uma porção de lixa, tal como uma porção de fazenda que se cortou de uma peça para fazer uma colcha de retalhos, enfatizando certa geometria orgânica de um patchwork esfolado, pelos seus tons róseos e avermelhados em “carne viva”.
Nessa janela de prospecção reversa, nesse nicho arqueológico avesso, eis que essas pinturas de parede – construídas por um gesto cuja adição se dá pela via da remoção, pela fricção de suas superfícies abrasivas contra o plano da parede – também podem apresentar-se como feridas no corpo arquitetônico.
Thiago Honório, março de 2025.
Ficha técnica
Da série Pintura de parede [retalhos], 2013-2025
128 retalhos de lixas utilizadas na pintura das paredes da residência e do ateliê do artista
109 x 178 cm [díptico]
foto: Estúdio em Obra